Muitos políticos vão cair do Palanque Eletrônico.

30 de Setembro de 2009 por Luiz Barbosa Neves  
Categoria: Destaque, Marketing

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Muitos políticos vão cair do Palanque Eletrônico.

A cada dia que passa cresce o número de políticos que criam perfil no twitter, dinamizam seus blogs e sites e comemoram junto ao público conectado a liberação da internet na próxima eleição. Ao que parece inclusive com debates online sem restrições.

Animados com a possibilidade de praticar a comunicação com eleitores e seus apoiadores de forma instantânea, eficaz e com baixíssimo custo alguns estão inclusive freqüentando cursos de introdução as redes sociais e treinando suas equipes para assimilarem a demanda que se aproxima.

Porém afirmo, muitos cairão do palanque eletrônico.

Se eles acham, e muitos deles pensam assim, que os velhos truques de fingir interação com o cidadão vão funcionar no meio digital irão se surpreender com a capacidade que nós temos de expor nossa opinião a respeito deles.

Vai ter político querendo censurar o Google e similares.

Tenho sido consultado por vários deles a respeito das possibilidades da campanha na internet. A minha primeira pergunta é: O que o senhor acha de ter milhares de pessoas na porta da sua casa 24 horas por dia, exigindo sua opinião sobre os mais variados assuntos, questionando seu desempenho como parlamentar ou gestor, cobrando sua votação a respeito de assuntos de que o senhor nem se lembra mais e declarando que não vai votar em você por causa disto ou daquilo?

De Deus me livre a PQP ouvi um bocado de coisas. Até mesmo “eu sabia que esse troço aí não é pra gente, é pra americano”.

Tem mais. Que tal ranking exposto em blogs e sites sendo consultado por vários veículos não digitais sobre o desempenho dos candidatos na internet? Números de acesso, comentários pró, contra, atualizações e qualidade de conteúdo tudo publicado em milhares de jornais e revistas do país, exibidos e comentados em programas de TV e Rádio, região por região, partido por partido, cargo por cargo?

Na eleição de 2008 fiz um trabalho de comunicação política em muitos municípios do Rio de Janeiro. Um deles tinha em torno de 22 mil moradores e 17mil eleitores. O site do candidato a prefeito teve uma média de 890 visitas dias com picos de mais de 1500 visitas nos dias posteriores a comícios e caminhadas. Fotos, vídeos e artigos eram postados na madrugada após os eventos. Uma vez, por conta de uma reunião estratégica que começou 6 da manhã pude mostrar ao grupo político em tempo real o número de acessos entre 7 e 9 da manhã.

No fim da tarde disparamos pelo telemarketing uma pesquisa para medir o conhecimento do assunto abordado na última postagem. Resultado, mais de 40% dos entrevistados que não foram ao comício sabiam do tema tratado no site, (vi na internet – 35,8% – viram na internet e me contaram 42,4% – foram ao comício e me contaram 13,1% – não lembro onde soube 3,2% – NR 8,7%) isso numa cidade onde o número de conexões internet instalado não chegava a 25% da telefonia fixa que por sua vez cobria apenas 60% da cidade. A partir da internet surgia um boca a boca na cidade.

Quando eu apresento os gráficos deste capítulo da minha ação profissional nas últimas eleições e reafirmo que o sucesso dessas campanhas na internet foi conseguido pelo conteúdo bem desenvolvido dentro de uma linha de comunicação adequada, somente os conseqüentes, de opinião, de leis, projetos e realizações continuam animados.

Os que vivem politicamente do assistencialismo, do fisiologismo, do uso da máquina pública como favor e os que têm ficha suja e passado que querem esconder começam a verificar que provavelmente a internet será um obstáculo a mais para sua eleição.

Porque ao contrário dos panfletos e jornais de campanha de conteúdo reduzido com pouca informação e pequena vida útil, a informação na internet é dinâmica e constante. Para o bem e para o mal.

Ao invés dos segundinhos no espremido horário eleitoral nossos candidatos terão ao seu dispor espaço para vídeos reportando as suas ações e expondo suas promessas.

Quem não tem o que mostrar e o que dizer e nem disposição para o debate terá de fugir deste meio e sua ausência será notada.

Talvez o melhor indicador sobre o que nos espera na próxima campanha seja o fato de dois grandes partidos brasileiros disputarem a contratação da equipe que trabalhou para o Obama. Tudo indica que um deles conseguiu.

Quem observar hoje o trabalho que vem sendo feito pelo marinasilvapresidente.org poderá ter uma idéia da dimensão que esta ferramenta pode alcançar.

Plataformas e softwares farão parte do linguajar de assessores e coordenadores de campanha.

Marketing digital, SEO, Hits, upload, Pageviews. Um mundo novo para nossos políticos junto com os tradicionais cabos eleitorais e líderes comunitários.

Eleitores comentarão que deram retweet no conteúdo de seu candidato.

Frases como essa serão comuns. “Adiciona meu candidato, você vai gostar tem vários links do seu trabalho.”

“Cuidado, tem um fake do meu candidato espalhando boato no twitter.”

O Instituto Informa do sociólogo @fabiogomes_ fez recentemente uma pesquisa nacional sobre hábitos na internet dos jovens das classes ABC. Uma matéria sobre os resultados já saiu no O Globo e após a “quarentena” que toda pesquisa tem ele me concederá uma entrevista no twitter sobre o assunto. (vai ser aberta a todos que quiserem participar e um belíssimo exercício de perguntar e responder em 140 toques) Vou adiantar um dado qualitativo que chamou muito atenção da equipe do Informa e da Binder, agência que participou do empreendimento. A interação dos jovens com suas marcas preferidas na internet.

Dá pra imaginar essa relação no caso das militâncias partidárias, políticas e simpatizantes espontâneas.

Por não se prepararem ou não ter o que apresentar muitos candidatos irão cair dos seus palanques eletrônicos, outros nem conseguirão subir.

Para aqueles que ainda têm dúvida das possibilidades, dos prós e contras recomendo este vídeo curto. http://www.youtube.com/watch?v=LCec4Vpf6cE

Luiz Barbosa Neves

Rejeição Eleitoral, nem Freud explica.

23 de Setembro de 2009 por Luiz Barbosa Neves  
Categoria: Destaque, Marketing

rejeicao

Rejeição Eleitoral, nem Freud explica.

A última pesquisa de intenção de voto CNI/IBOPE gerou um destaque digamos um tanto ao quanto diferente do usual em se tratando de matéria sobre opinião eleitoral.

A manchete de muitos veículos impressos ou online destacava o resultado dos índices de rejeição dos candidatos apurados pela pesquisa.
Uma pesquisa rápida no Google gerou 25.800 resultados sobre o assunto com manchetes praticamente idênticas.

Pesquisa CNI/IBOPE Serra tem o menor índice de rejeição ou
Pesquisa CNI/IBOPE Dilma tem o maior índice de rejeição.

Nem vou entrar na discussão do que isso representa em termos de corrida presidencial, bastidores do poder e opinião publicada. Acredito que você tenha uma boa idéia.

Mas vou me ater a este fenômeno sociológico traduzido simplesmente como índice ou taxa de rejeição.
Pra começar é de fácil manipulação, pois ao contrário do índice de intenção de votos não precisa ter como resultado final 100 %.

Vamos ver:
REJEIÇÃO
HH – 40%
Dilma – 40%
Serra – 30%
Ciro – 33%
Aécio – 37%
Marina – 37%

Quem tá rindo aí balança o mouse.

INTENÇÃO
Serra – 35%
Ciro – 17%
Dilma – 15%
Marina – 8%
NS/NR – 24%

O fenômeno da rejeição se dá por desconhecimento, por associação, por fato direto, por sensação e percepção e polaridade.
Índices tão altos assim me lembram eleições polarizadas em cenário aguerrido ou radicalizado onde somente dois atores políticos disputam a formação de intenção de voto e os eleitores rejeitam quase que automaticamente a outra opção.

Enfim nem Freud explica.

Liberdade na Internet é mole. Quero ver é nas mídias controladas.

11 de Setembro de 2009 por Luiz Barbosa Neves  
Categoria: Destaque, Entrevista

Quero ver aqui.

Posso não concordar com a opção de um veículo, mas isso é muito melhor do que ser tratado como uma anta que engole qualquer manchete que publicam.

Sou totalmente a favor da liberdade de expressão e opinião. Na internet e nas mídias convencionais. Liberdade e responsabilidade sempre, inclusive no período eleitoral.

Ao contrário de alguns grupos políticos e seus representantes nos veículos de comunicação, ou vice versa, que ainda procuram e conseguem cercear nossa liberdade de expressão e opinião com argumentos falaciosos de garantia da igualdade de exposição de temas e candidatos.

Alguém tem dúvida que a mídia tem suas tendências em relação a candidatos e assuntos estratégicos do país? Claro que não.
As novas regras para campanha eleitoral nem saíram do forno e os principais veículos já “avisaram” a seus funcionários e prestadores de serviço que dono também tem opinião. A dele é a que vale.
Vem mais por aí.

A Ditadura Militar já se foi, mas algumas heranças nefastas de sua influência ainda fazem parte da cultura política de nosso país. E tem adeptos.
Para quem não lembra ou sabe a Lei Falcão (Lei nº 6.339 de 1976) normatizava as campanhas eleitorais. Esta lei permitia aos candidatos a apresentação de seu retrato, seu currículo resumido e um narrador igual para todos.
Somente em 1985 as disposições sobre propaganda gratuita no rádio e televisão passaram a ser regulada a cada eleição e finalmente a Lei nº 9.504/97, art. 107, revogou totalmente o art. 250 do Código Eleitoral gerado na Lei Falcão.

Vejo que a discussão sobre o projeto apresentado no congresso regulamentando para a próxima eleição o uso da internet mobilizou todo mundo. Imprensa, políticos e cidadãos conectados, todos querendo opinar e sugerir.
Ótimo, internet livre é uma conquista, mas se é só isso que podemos e queremos estamos longe de realmente avançarmos no exercício de nossa liberdade de expressão e opinião.

As ditas mídias de massa ou abertas continuam amordaçadas e está difícil achar texto, artigo ou defesa da total liberdade de expressão e opinião e suas responsabilidades para todos os veículos de comunicação no período eleitoral.

Vi muita gente conectada, a maioria informadores de opinião, defendendo a liberdade na internet com o argumento de não ser concessão pública.
Quer dizer então que ser for concessão pode censurar e cercear.
Este argumento que foi requentado e revisitado agora, já foi utilizado por jornais e revistas na tentativa de justificar sua não inclusão no código eleitoral.

A questão não é essa. Concessão ou não, internet ou não. A questão principal é a pouca importância e o casuísmo corporativo não confessado que nossos legisladores e políticos dão a discussão política eleitoral neste país.
Será que eles acham que isso atrapalha o bom andamento da vida pública? Que emperra o desenvolvimento de nossa democracia?

Nos Brasil temos apenas três meses antes da eleição para discutirmos e avaliarmos os candidatos majoritários e proporcionais com suas propostas de como serão os próximos vinte ou trinta anos pela frente. Antes disso é crime. Vou repetir, é crime.

Não é isso dirão alguns, a discussão política é livre. É? Então porque não temos.  O que há é uma discussão eleitoreira disfarçada em importantes questões nacionais.
Nós não precisamos disto. Saudável é a discussão política. De forma clara, validando teses e evoluindo com os fatos. As crises verdadeiras são inexoráveis, as fabricadas banalizam a classe política e a cobertura da mídia.
No popular, enche o saco de qualquer cidadão.

Mas pra que se preocupar, só estamos falando da construção de nossa nação e o país que vamos preparar para nossos filhos? Três meses para projetar trinta anos são mais do que suficiente.

Quer ver outro absurdo. Em 09 de setembro de 2009 o Ciro Gomes esteve num programa de TV em canal aberto. Se ele afirmasse diretamente que é candidato a presidência em 2010 estaria cometendo crime eleitoral. O canal de TV também.

Noventa e um dias antes da eleição se falar é criminoso, noventa dias depois é Presidente do Brasil. Tem alguma coisa errada nisso ou é só impressão minha?

Propaganda extemporânea, esse é o nome do delito, sujeito inclusive a ter o registro de sua candidatura negada no futuro. Paradoxalmente jornais e TVs mostram a cada mês sua posição nas pesquisas eleitorais na corrida presidencial. O que faz então o TSE? Finge que não lê os jornais ou faz de conta que é em outro país. Não faz muito tempo queria proibir divulgação de pesquisas.

Se a Marina Silva concordar nas entrevistas que sua movimentação política visa sua candidatura estará enquadrada na mesma lei citada acima.
Fica então aquele exercício doido de entrevistar sem ir direto à questão e o entrevistado se esmerando em não dar munição legal para os adversários quando estiver falando sobre as mais importantes questões nacionais e mundiais.
Quanta bobagem. Teatro do absurdo sem a direção do Boal.

Outros países que praticam a democracia há mais tempo que nós e convivem com a responsabilidade da liberdade de expressão e opinião sem maiores traumas também tem seus problemas, mas não agem assim.

Apenas um exemplo. Com as nossas regras eleitorais sabe quando uma nova liderança poderá chamar a atenção para seu posicionamento político e tentar oxigenar a próxima eleição e a vida política de nosso país? Provavelmente nunca.

Ao invés disso, nós já vivemos a construção midiática de uma “nova liderança” que em três meses arrebatou parte da nação e depois nos jogou no limite do retrocesso político. Felizmente não aconteceu. Se este ator político ficasse mais tempo exposto a observação pública em condições naturais de debate e contraditório teria se mantido convincente?
Depois a culpa é dos marketeiros e publicitários. Tá bom.

É impossível não observar a recente trajetória do Obama. Mais de dois anos afirmando querer ser presidente, sendo tratado e questionado durante todo este tempo como candidato sem que isso representasse um desequilíbrio democrático, muito menos um crime. Campanha Política. Por fim uma campanha de marketing e comunicação Eleitoral fechou o processo.
Se ele vai ser um bom presidente eu não sei, mas não foi por falta de informação que o povo americano optou por ele.

É claro que legislar sobre estas questões não é fácil. Conjunturas políticas, necessidades e direitos partidários, respeito ao eleitor, a importância dos meios de comunicação e muitos outros aspectos que precisam ser observados e criterizados. Democracia dá trabalho, muito trabalho. Não estão conseguindo? Pede pra sair. Ficar empurrando entulho autoritário goela abaixo da nação e com isso ganhar sobrevida política é que não pode.

Espero o dia em que nossa imprensa possa assumir de forma clara e leal que prefere este ou aquele candidato correndo com isso somente o risco de perder leitores, assinantes e anunciantes e não sanções legais. Que tal O Globo, ou FSP com a marca do seu candidato preferido na primeira página? Todo mundo sabe quem eles apóiam.

Isto é muito melhor do que a forma dissimulada e hipócrita com que tratam suas opções hoje. Fora o jogo sujo de alguns veículos com notícias infundadas e ou falsas.

Não abro mão de querer ver o mais alto nível de transparência em nossas instituições. Públicas ou não.

O Latino Barômetro, levantamento feito pela The Economist na América Latina mostra que a credibilidade da mídia é baixa. Em tempos de crise política mais baixa ainda. Porque vamos continuar mentindo para nós mesmos. Transparência é uma boa receita para as mídias reconquistarem a credibilidade do seu público. Posso não concordar com a opção de um veículo, mas isso é muito melhor do que ser tratado como uma anta que engole qualquer manchete que publicam.

Podemos questionar o quanto o poder econômico pode abusar desta liberdade? Claro que sim. Mas e aí, vamos ficar parados, ou alguém acha realmente que com as regras de hoje o poder econômico está domado? Transparência, se isso não for uma das soluções para muitos dos nossos problemas, estamos mal.

Hoje no twitter, após o adiamento da votação um senador disse o seguinte:

“A liberdade da internet é fundamental para a consolidação da Democracia. Erra quem pensa que poderá censurá-lo.”

Elerê, discurso fácil eu também sei fazer. Inclusive serve para todos os políticos que não querem ficar mal na fita. Do Sarney ao Gabeira. Até porque eles sabem que o foco não deveria ser só esse.

Se vamos começar pela internet, que seja. Só não podemos é achar que basta banda larga para conseguirmos chutar as grandes bundas dos coronéis. Ajuda, cada vez mais, mas não é o suficiente.

Luiz Barbosa Neves

O Estado é laico, mas a nação é religiosa.

jesusmanif

Para muitos a contemporaneidade é amanhã, não hoje e muito menos ontem.

O acordo do governo com o Vaticano sobre o ensino facultativo de religiões nas escolas públicas fere o sentido de Estado Laico?
É legítimo o Senado propor ao Calendário Oficial uma data de expressão religiosa como a Marcha para Jesus?

O “modo de ser religioso” é uma temática das Ciências das Religiões e confunde muita gente. Até mesmo os religiosos.
Para boa parte da sociedade as manifestações ou representações religiosas deveriam acontecer somente em templos ou lugares assemelhados.
Foi isso que os religiosos por muito tempo ensinaram à sociedade.
Ressaltando inclusive o respeito que se deva ter a representação do SAGRADO, seja ela qual for e instruindo o povo sobre a diferenciação do profano.

Agora estes mesmos religiosos querem estar cada vez mais em espaços profanos introduzindo novos ritos ou resignificando o sagrado.

Na realidade as manifestações religiosas externas aos templos ou assemelhados estão em nossa cultura há muito tempo.
Ao assumir o espaço urbano/profano estas manifestações ganharam características de festa popular. Provavelmente você já foi a várias e nem se tocou que estava em um evento religioso.

Vou tentar ser bastante direto no texto abaixo porque o assunto é complexo e com muitas escolas a serem estudadas. Mas se você quiser ter uma leitura mais profunda do assunto pode começar por Jaime Carlos Patias – O sagrado e o profano: do rito religioso ao espetáculo midiático.
Jaime é licenciado em filosofia pela PUC do Paraná, bacharel em teologia pela Universidade de Louvain e mestre em comunicação pela Faculdade Cásper Líbero. Padre do Instituto Missões Consolata (IMC) e diretor da revista Missões. Membro do Grupo de Pesquisa da Comunicação na Sociedade do Espetáculo, autor de vários artigos e co-autor do livro Comunicação Sociedade do Espetáculo, São Paulo: Paulus, 2006.

Foi ele que elaborou a expressão “Na sociedade contemporânea, o modo de ser religioso está saindo da esfera protegida da instituição religiosa e da tradição, e se deslocando para a mídia, nova instância organizadora das relações sociais e comunitárias”.

Para muitos a contemporaneidade é amanhã, não hoje e muito menos ontem. Somos muito conservadores. É por isso que muita gente fica sinceramente constrangida e até ofendida quando vê no noticiário as instituições religiosas alcançando cada vez mais espaço no mundo secular.

Porém chamo a atenção para o fato que essa discussão está datada e distorcida.
Ao oficializar a data de uma marcha simbólica supra-religiosa e internacional estaria o Estado realmente deixando de exercer seu laicismo? O argumento do proselitismo religioso não foi capaz de minar a força deste movimento que começou na Inglaterra e já roda o mundo. Se você nunca observou o reencantamento do mundo e desconhece a força que isso representa na pós-modernidade vai provavelmente achar que este tipo de evento é apenas propaganda religiosa. É muito mais, é o modo de ser religioso. Aos poucos outras instituições religiosas com menos expressão em nossa cultura vão expondo por eventos ou imaginética sua presença no cotidiano das cidades. Hoje no Rio de Janeiro os vidros traseiros da maioria dos automóveis são verdadeiros painéis publicitários das mais diversas religiões. Eu já vi em uma parada de sinal de trânsito seis carros a minha frente com mensagens de seis religiões ou seitas diferentes.

Qualquer dia eu vou fotografar e colocar no site cenas deste tipo.

A mobilidade das religiões é um fato. O imobilismo do sentido laico é outro fato.

Um dos caminhos para o eficaz combate a intolerância religiosa é a informação e a educação. O Estado deve impedir em nome do laicismo que nossa sociedade se eduque trazendo como benefício o entendimento da diversificação religiosa desde o ensino fundamental?

Leis protegem direitos e são bem vindas no esforço de harmonizar a sociedade, porém leis e aparelho repressor não são o suficiente para resolver nossas questões. Se fosse assim ninguém assaltava. Me permitam um exemplo rasteiro.

Nunca soltei balão, meu pai me ensinou que era perigoso, mas vi ao longo dos anos milhares de balões no céu carioca. Neste mesmo tempo as escolas sempre se preocuparam em passar a mesma orientação que meu pai me deu. Soltar balão é um perigo. E tome, desenho, colagem e redação e a cada geração educada menos balões no céu. Este ano vi pouquíssimos. Muitos foram educados, poucos foram presos ou multados.

Ao Estado cabe observar a nação e seus anseios. Aos legítimos, dentro de pressupostos legais e justos convém o anexo ao estado de direito.