A nova classe C e o IPCA

14 de Janeiro de 2012 por Luiz Barbosa Neves  
Categoria: Destaque

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IBGE muda cálculo da inflação para se adaptar a novo consumidor

Brasil Econômico - 12/01/2012

Instituto de pesquisa oficial do país inclui itens mais sofisticados na cesta de consumo do brasileiro médio
Daniel Oiticica, do Rio
A nova realidade da sociedade brasileira vai influenciar o índice oficial de inflação. As mudanças anunciadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) refletem uma economia com mais gente com poder aquisitivo maior e uma classe C com hábitos de consumo que seriam impensados há dez anos. Produtos como o salmão, castanha e salame passam a fazer parte do grupo Alimentação e Bebidas.

Chuchu, gelatina e feijoada em conserva, por sua vez, não serão mais pesquisados.

“Houve uma mudança de razoável para boa em certas categorias de consumo. O caso do salmão é emblemático. Hoje qualquer pessoa encontra esse produto em supermercados de subúrbio das grandes cidades.

O preço também é muito mais acessível”, afirma o professor do Instituto de Varejo (Ivar), da Universidade Cândido Mendes, Luiz Barbosa Neves.

Para a economista Alessandra Ribeiro, da consultoria Tendências, as mudanças já eram esperadas pelo mercado e refletem a alteração que vem ocorrendo na composição das classes sociais no Brasil, com a política de transferência de renda.

“Entre 2009 e 2011 houve uma forte migração da classe C para a classe B e da classe B para a classe A”, afirma.

De fato, a classe C foi a que mais cresceu, de acordo com a comparação entre as duas últimas Pesquisas de Orçamento Familiar (Pof), que serviu de base para a definição dos novos parâmetros de cálculo do IPCA. “De 2002 a 2009 a classe C cresceu 3,1 pontos percentuais e a classe B, 1 ponto”, afirma Alessandra.

O grupo que mais sofreu mudanças foi o de Educação, o que reforça a análise da maior participação da classe C no mercado consumidor brasileiro. O peso desse grupo no cálculo do índice de inflação foi reduzido de 7,21% para 4,37%. Segundo Irene Machado, técnica do IBGE, a redução ocorre nos cursos regulares do ensino fundamental e médio, mas não em cursos técnicos.

“Apesar do aumento da renda, muitas famílias tiraram os filhos das escolas particulares para gastar mais com serviços e internet”, afirma.

Para Alessandra, da consultoria Tendências, é justamente o aumento da participação da classe C no mercado consumidor que explica a perda de relevância do grupo Educação. “A classe C, tradicionalmente, consome menos educação e menos serviços e por isso esse grupo terá um peso menor no índice.” Analistas especializados em varejo reconhecem que os hábitos de consumo da nova classe C são diferentes dos das classes C tradicionais. Luiz Barbosa cita o setor de eletrodomésticos.

“Você praticamente já não encontra nas grandes redes de varejo eletrodomésticos de segunda linha porque a nova classe C está migrando para as marcas mais consagradas. Essa nova classe C por enquanto não aspira a passar para a classe B e essa é a grande dificuldade das empresas hoje. Descobrir o que a classe C quer consumir”, afirma Luiz Barbosa. De acordo com o professor, o setor editorial e de moda são os que mais têm se adaptado para atender ás exigências dessa nova classe C.

“As editoras cada vez estão mais segmentadas e os grandes varejistas de moda também se adaptam mais facilmente para não perder participação de mercado”, afirma.

O grupo Alimentação e Bebidas, o mais importante na composição do IPCA, perdeu peso de 23,46% para 23,12%, mas se manteve como o mais importante.

Dentro deste grupo, o item alimentação no domicílio ganhou espaço, passando de um peso de 15,08% para 15,15%. O item alimentação fora do domicílio, por sua vez, perdeu peso e passou de 8,38% para 7,97%.

O grupo transportes foi um dos que ganhou mais peso, ao passar de 18,59% para 20,54%.

Esse crescimento reflete também o maior gasto com viagens.

“Viajar mais significa que o brasileiro também está tendo acesso a novas culturas e isso certamente vai influenciar na questão educacional”, afirma Luiz Barbosa.

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O poder aquisitivo maior e um classe C com hábitos de consumo que seriam impensados há dez anos justificam a mudança.

Produtos como salmão, castanha e salame entram na lista, enquanto Chuchu gelatina saem da cesta de alimentos cujos preços são monitorados pelas pesquisas de inflação