Liberdade na Internet é mole. Quero ver é nas mídias controladas.
11 de Setembro de 2009 por Luiz Barbosa Neves
Categoria: Destaque, Entrevista
Posso não concordar com a opção de um veículo, mas isso é muito melhor do que ser tratado como uma anta que engole qualquer manchete que publicam.
Sou totalmente a favor da liberdade de expressão e opinião. Na internet e nas mídias convencionais. Liberdade e responsabilidade sempre, inclusive no período eleitoral.
Ao contrário de alguns grupos políticos e seus representantes nos veículos de comunicação, ou vice versa, que ainda procuram e conseguem cercear nossa liberdade de expressão e opinião com argumentos falaciosos de garantia da igualdade de exposição de temas e candidatos.
Alguém tem dúvida que a mídia tem suas tendências em relação a candidatos e assuntos estratégicos do país? Claro que não.
As novas regras para campanha eleitoral nem saíram do forno e os principais veículos já “avisaram” a seus funcionários e prestadores de serviço que dono também tem opinião. A dele é a que vale.
Vem mais por aí.
A Ditadura Militar já se foi, mas algumas heranças nefastas de sua influência ainda fazem parte da cultura política de nosso país. E tem adeptos.
Para quem não lembra ou sabe a Lei Falcão (Lei nº 6.339 de 1976) normatizava as campanhas eleitorais. Esta lei permitia aos candidatos a apresentação de seu retrato, seu currículo resumido e um narrador igual para todos.
Somente em 1985 as disposições sobre propaganda gratuita no rádio e televisão passaram a ser regulada a cada eleição e finalmente a Lei nº 9.504/97, art. 107, revogou totalmente o art. 250 do Código Eleitoral gerado na Lei Falcão.
Vejo que a discussão sobre o projeto apresentado no congresso regulamentando para a próxima eleição o uso da internet mobilizou todo mundo. Imprensa, políticos e cidadãos conectados, todos querendo opinar e sugerir.
Ótimo, internet livre é uma conquista, mas se é só isso que podemos e queremos estamos longe de realmente avançarmos no exercício de nossa liberdade de expressão e opinião.
As ditas mídias de massa ou abertas continuam amordaçadas e está difícil achar texto, artigo ou defesa da total liberdade de expressão e opinião e suas responsabilidades para todos os veículos de comunicação no período eleitoral.
Vi muita gente conectada, a maioria informadores de opinião, defendendo a liberdade na internet com o argumento de não ser concessão pública.
Quer dizer então que ser for concessão pode censurar e cercear.
Este argumento que foi requentado e revisitado agora, já foi utilizado por jornais e revistas na tentativa de justificar sua não inclusão no código eleitoral.
A questão não é essa. Concessão ou não, internet ou não. A questão principal é a pouca importância e o casuísmo corporativo não confessado que nossos legisladores e políticos dão a discussão política eleitoral neste país.
Será que eles acham que isso atrapalha o bom andamento da vida pública? Que emperra o desenvolvimento de nossa democracia?
Nos Brasil temos apenas três meses antes da eleição para discutirmos e avaliarmos os candidatos majoritários e proporcionais com suas propostas de como serão os próximos vinte ou trinta anos pela frente. Antes disso é crime. Vou repetir, é crime.
Não é isso dirão alguns, a discussão política é livre. É? Então porque não temos. O que há é uma discussão eleitoreira disfarçada em importantes questões nacionais.
Nós não precisamos disto. Saudável é a discussão política. De forma clara, validando teses e evoluindo com os fatos. As crises verdadeiras são inexoráveis, as fabricadas banalizam a classe política e a cobertura da mídia.
No popular, enche o saco de qualquer cidadão.
Mas pra que se preocupar, só estamos falando da construção de nossa nação e o país que vamos preparar para nossos filhos? Três meses para projetar trinta anos são mais do que suficiente.
Quer ver outro absurdo. Em 09 de setembro de 2009 o Ciro Gomes esteve num programa de TV em canal aberto. Se ele afirmasse diretamente que é candidato a presidência em 2010 estaria cometendo crime eleitoral. O canal de TV também.
Noventa e um dias antes da eleição se falar é criminoso, noventa dias depois é Presidente do Brasil. Tem alguma coisa errada nisso ou é só impressão minha?
Propaganda extemporânea, esse é o nome do delito, sujeito inclusive a ter o registro de sua candidatura negada no futuro. Paradoxalmente jornais e TVs mostram a cada mês sua posição nas pesquisas eleitorais na corrida presidencial. O que faz então o TSE? Finge que não lê os jornais ou faz de conta que é em outro país. Não faz muito tempo queria proibir divulgação de pesquisas.
Se a Marina Silva concordar nas entrevistas que sua movimentação política visa sua candidatura estará enquadrada na mesma lei citada acima.
Fica então aquele exercício doido de entrevistar sem ir direto à questão e o entrevistado se esmerando em não dar munição legal para os adversários quando estiver falando sobre as mais importantes questões nacionais e mundiais.
Quanta bobagem. Teatro do absurdo sem a direção do Boal.
Outros países que praticam a democracia há mais tempo que nós e convivem com a responsabilidade da liberdade de expressão e opinião sem maiores traumas também tem seus problemas, mas não agem assim.
Apenas um exemplo. Com as nossas regras eleitorais sabe quando uma nova liderança poderá chamar a atenção para seu posicionamento político e tentar oxigenar a próxima eleição e a vida política de nosso país? Provavelmente nunca.
Ao invés disso, nós já vivemos a construção midiática de uma “nova liderança” que em três meses arrebatou parte da nação e depois nos jogou no limite do retrocesso político. Felizmente não aconteceu. Se este ator político ficasse mais tempo exposto a observação pública em condições naturais de debate e contraditório teria se mantido convincente?
Depois a culpa é dos marketeiros e publicitários. Tá bom.
É impossível não observar a recente trajetória do Obama. Mais de dois anos afirmando querer ser presidente, sendo tratado e questionado durante todo este tempo como candidato sem que isso representasse um desequilíbrio democrático, muito menos um crime. Campanha Política. Por fim uma campanha de marketing e comunicação Eleitoral fechou o processo.
Se ele vai ser um bom presidente eu não sei, mas não foi por falta de informação que o povo americano optou por ele.
É claro que legislar sobre estas questões não é fácil. Conjunturas políticas, necessidades e direitos partidários, respeito ao eleitor, a importância dos meios de comunicação e muitos outros aspectos que precisam ser observados e criterizados. Democracia dá trabalho, muito trabalho. Não estão conseguindo? Pede pra sair. Ficar empurrando entulho autoritário goela abaixo da nação e com isso ganhar sobrevida política é que não pode.
Espero o dia em que nossa imprensa possa assumir de forma clara e leal que prefere este ou aquele candidato correndo com isso somente o risco de perder leitores, assinantes e anunciantes e não sanções legais. Que tal O Globo, ou FSP com a marca do seu candidato preferido na primeira página? Todo mundo sabe quem eles apóiam.
Isto é muito melhor do que a forma dissimulada e hipócrita com que tratam suas opções hoje. Fora o jogo sujo de alguns veículos com notícias infundadas e ou falsas.
Não abro mão de querer ver o mais alto nível de transparência em nossas instituições. Públicas ou não.
O Latino Barômetro, levantamento feito pela The Economist na América Latina mostra que a credibilidade da mídia é baixa. Em tempos de crise política mais baixa ainda. Porque vamos continuar mentindo para nós mesmos. Transparência é uma boa receita para as mídias reconquistarem a credibilidade do seu público. Posso não concordar com a opção de um veículo, mas isso é muito melhor do que ser tratado como uma anta que engole qualquer manchete que publicam.
Podemos questionar o quanto o poder econômico pode abusar desta liberdade? Claro que sim. Mas e aí, vamos ficar parados, ou alguém acha realmente que com as regras de hoje o poder econômico está domado? Transparência, se isso não for uma das soluções para muitos dos nossos problemas, estamos mal.
Hoje no twitter, após o adiamento da votação um senador disse o seguinte:
“A liberdade da internet é fundamental para a consolidação da Democracia. Erra quem pensa que poderá censurá-lo.”
Elerê, discurso fácil eu também sei fazer. Inclusive serve para todos os políticos que não querem ficar mal na fita. Do Sarney ao Gabeira. Até porque eles sabem que o foco não deveria ser só esse.
Se vamos começar pela internet, que seja. Só não podemos é achar que basta banda larga para conseguirmos chutar as grandes bundas dos coronéis. Ajuda, cada vez mais, mas não é o suficiente.
Luiz Barbosa Neves
O Estado é laico, mas a nação é religiosa.
4 de Setembro de 2009 por Luiz Barbosa Neves
Categoria: Ciências das Religiões, Destaque
Para muitos a contemporaneidade é amanhã, não hoje e muito menos ontem.
O acordo do governo com o Vaticano sobre o ensino facultativo de religiões nas escolas públicas fere o sentido de Estado Laico?
É legítimo o Senado propor ao Calendário Oficial uma data de expressão religiosa como a Marcha para Jesus?
O “modo de ser religioso” é uma temática das Ciências das Religiões e confunde muita gente. Até mesmo os religiosos.
Para boa parte da sociedade as manifestações ou representações religiosas deveriam acontecer somente em templos ou lugares assemelhados.
Foi isso que os religiosos por muito tempo ensinaram à sociedade.
Ressaltando inclusive o respeito que se deva ter a representação do SAGRADO, seja ela qual for e instruindo o povo sobre a diferenciação do profano.
Agora estes mesmos religiosos querem estar cada vez mais em espaços profanos introduzindo novos ritos ou resignificando o sagrado.
Na realidade as manifestações religiosas externas aos templos ou assemelhados estão em nossa cultura há muito tempo.
Ao assumir o espaço urbano/profano estas manifestações ganharam características de festa popular. Provavelmente você já foi a várias e nem se tocou que estava em um evento religioso.
Vou tentar ser bastante direto no texto abaixo porque o assunto é complexo e com muitas escolas a serem estudadas. Mas se você quiser ter uma leitura mais profunda do assunto pode começar por Jaime Carlos Patias – O sagrado e o profano: do rito religioso ao espetáculo midiático.
Jaime é licenciado em filosofia pela PUC do Paraná, bacharel em teologia pela Universidade de Louvain e mestre em comunicação pela Faculdade Cásper Líbero. Padre do Instituto Missões Consolata (IMC) e diretor da revista Missões. Membro do Grupo de Pesquisa da Comunicação na Sociedade do Espetáculo, autor de vários artigos e co-autor do livro Comunicação Sociedade do Espetáculo, São Paulo: Paulus, 2006.
Foi ele que elaborou a expressão “Na sociedade contemporânea, o modo de ser religioso está saindo da esfera protegida da instituição religiosa e da tradição, e se deslocando para a mídia, nova instância organizadora das relações sociais e comunitárias”.
Para muitos a contemporaneidade é amanhã, não hoje e muito menos ontem. Somos muito conservadores. É por isso que muita gente fica sinceramente constrangida e até ofendida quando vê no noticiário as instituições religiosas alcançando cada vez mais espaço no mundo secular.
Porém chamo a atenção para o fato que essa discussão está datada e distorcida.
Ao oficializar a data de uma marcha simbólica supra-religiosa e internacional estaria o Estado realmente deixando de exercer seu laicismo? O argumento do proselitismo religioso não foi capaz de minar a força deste movimento que começou na Inglaterra e já roda o mundo. Se você nunca observou o reencantamento do mundo e desconhece a força que isso representa na pós-modernidade vai provavelmente achar que este tipo de evento é apenas propaganda religiosa. É muito mais, é o modo de ser religioso. Aos poucos outras instituições religiosas com menos expressão em nossa cultura vão expondo por eventos ou imaginética sua presença no cotidiano das cidades. Hoje no Rio de Janeiro os vidros traseiros da maioria dos automóveis são verdadeiros painéis publicitários das mais diversas religiões. Eu já vi em uma parada de sinal de trânsito seis carros a minha frente com mensagens de seis religiões ou seitas diferentes.
Qualquer dia eu vou fotografar e colocar no site cenas deste tipo.
A mobilidade das religiões é um fato. O imobilismo do sentido laico é outro fato.
Um dos caminhos para o eficaz combate a intolerância religiosa é a informação e a educação. O Estado deve impedir em nome do laicismo que nossa sociedade se eduque trazendo como benefício o entendimento da diversificação religiosa desde o ensino fundamental?
Leis protegem direitos e são bem vindas no esforço de harmonizar a sociedade, porém leis e aparelho repressor não são o suficiente para resolver nossas questões. Se fosse assim ninguém assaltava. Me permitam um exemplo rasteiro.
Nunca soltei balão, meu pai me ensinou que era perigoso, mas vi ao longo dos anos milhares de balões no céu carioca. Neste mesmo tempo as escolas sempre se preocuparam em passar a mesma orientação que meu pai me deu. Soltar balão é um perigo. E tome, desenho, colagem e redação e a cada geração educada menos balões no céu. Este ano vi pouquíssimos. Muitos foram educados, poucos foram presos ou multados.
Ao Estado cabe observar a nação e seus anseios. Aos legítimos, dentro de pressupostos legais e justos convém o anexo ao estado de direito.
Os desafios de Marina Silva
28 de Agosto de 2009 por Luiz Barbosa Neves
Categoria: Destaque, Entrevista
ponderações sobre imagem de marca e comunicação política
Mais do que mostrar quem ela é, Marina vai ter que mostrar o que ela quer.
Eis que desponta no cenário político pré-eleitoral mais uma candidatura presidencial para 2010, o que, aliás, é saudável para o avanço de nossa democracia, além de trazer mais uma mulher para o centro das discussões políticas.
Até pouco tempo não tínhamos nenhuma. Heloisa Helena concorreu em 2006. Agora temos duas, podendo quem sabe termos três se a própria HH resolver concorrer à presidência. Talvez alguns se lembrem de Ana Maria Rangel em 2006 que tinha como vice uma mulher. Se você não lembrou ou não sabia, tudo bem. Era só uma alpinista política querendo aparecer usando um partido nanico.
Falando em recentes candidatas a presidência a lista fica maior com a advogada Lívia Maria que se registrou pelo desconhecido PN em 1989 e a administradora de empresas Thereza Ruiz em 1998 pelo PTN. Em 2002, Roseana Sarney na época pelo PFL chegou a atingir o segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para a sucessão de Fernando Henrique Cardoso, mas acabou soterrada pelo escândalo Lunus.
O primeiro desafio de Marina Silva é ficar conhecida. Calma, eu sei que você a conhece, alguns até bem. Só que você está lendo um artigo na internet. Você é uma pessoa conectada e atualizada. Mas em nosso país quantos realmente são?
Hoje a imagem de Marina é difusa. Seu desempenho parlamentar e recente atuação no Governo não lhe garantiram exposição popular nacional. Os principais temas que defende não atraem a massa nem são fatores de discussão e conversa do dia a dia de várias camadas de nossa população. Durante todo este tempo não foi manchete, nem matéria da maioria dos jornais populares que substituíram os jornais tradicionais.
Saber usar a mídia, principalmente as de alcance popular será um exercício a ser desenhado por seus assessores e responsáveis por sua comunicação.
Aqui abro um parêntese. Nossas leis só permitem campanha eleitoral durante os três meses que antecedem o pleito e também não há a figura jurídica da pré-campanha política. Na realidade é crime fazer qualquer menção a uma candidatura antes do período determinado por lei. Temos muito que evoluir neste aspecto.
Ainda neste sentido, de tornar-se conhecida, vai precisar popularizar seu atual principal discurso. Aquele que a projetou internacionalmente, mas a mantém desconhecida por grande parte de nossos eleitores. Estou falando da sua luta em defesa do Homem e do Meio Ambiente representada pela pouco palatável expressão Desenvolvimento Sustentável.
Ao longo dos anos acompanhei centenas de grupos focais de pesquisa Qualitativa. Para alguns segmentos de nossa população assuntos altamente relevantes para nossa qualidade de vida e da nossa sociedade como um todo simplesmente não pegam. Levam tempo. Mesmo que já tenham sido veiculados e comentados milhares, milhões de vezes.
É impressionante e é verdade. Com todo direito, mesmo que equivocados, suas prioridades e sentido de urgência são outros.
Com a palavra Sociólogos, Antropólogos e Psicólogos Sociais.
Outro fator desafiador na caminhada de nossa valorosa Senadora é a possível radicalização de sua imagem.
Tanto por seus prováveis apoios, quanto pela atuação de parte da nossa imprensa intencionada e disposta a mostrar aquilo que lhe convier no jogo político. Isenção não é bem o forte de nossa mídia. E o pior é que tentam fazer a coisa de forma dissimulada. Não é a toa que a credibilidade da imprensa acompanha a dos nossos políticos.
Ela mal começou sua jornada e já teve de chamar a atenção de alguns importantes veículos de comunicação em recente pronunciamento no Senado. Mais precisamente no dia em que Mercadante não renunciou. Ela denunciou que jornais e blogs haviam reproduzido no dia anterior partes de uma palestra sua totalmente fora do contexto em que tinham sido utilizados originalmente, fazendo parecer como mostrou algumas manchetes que estava radicalizando seu discurso e reprovando os programas sociais do Governo Lula.
Gerir a construção e expansão de sua imagem é importante tarefa tática na estratégia de quem quer ser eleito.
Oriunda das classes populares e ativa militante do PT desde os primeiros momentos do partido, Marina é muito mais parecida com o Lula do que Dilma.
Dentro do espectro que compõe sua imagem de marca este fator não pode ser desconsiderado ou eliminado.
E agora? Aproximar-se mais da imagem do Lula, ou tentar descolar-se dela?
Precipitadamente ou de forma oportunista jornalistas, articulistas e políticos vaticinaram o estrago que isso fará na candidatura da Dilma. Não é bem assim. Analisar cenários políticos eleitorais e as influências de cada detalhe na complexa rede de informações e fatos objetivos e subjetivos que vão atuar na formação da intenção de voto não é tarefa fácil. Nem estática.
Sim, ela é parecida com o Lula.
Mas com qual Lula?
O líder sindical e fundador do PT que movimentou os metalúrgicos e parte da classe trabalhadora em passado recente e chegou à presidência?
Ou o candidato vitorioso que elaborou e assinou a Carta ao Povo Brasileiro e tem os mais altos níveis de aprovação de um Presidente da história estratificada de nossa política?
Belos desafios.
A Piada dos Políticos – A performance de nossos políticos no twitter.
21 de Agosto de 2009 por Luiz Barbosa Neves
Categoria: Destaque, Entrevista
O que eles andam fazendo no Twitter.
Corajosamente ele colocou em 140 caracteres todas suas angústias e discussões que geraram retrocessos na sua liderança nos fazendo acompanhar sua crise pessoal e política cujo desfecho foi o anúncio de sua renúncia –
A Piada dos Políticos – Acompanhamento e Análise.
Durante a campanha do Obama, tivemos a oportunidade de acompanhar o esforço que o candidato e sua equipe fizeram para através da Internet e seus mecanismos de comunicação instantânea ganhar visibilidade, mobilizarem grupos de voluntários, conquistarem credibilidade, pedir voto, registro e comparecimento aos locais de votação e arrecadar com sucesso, fundos de campanha. Conceitos como web 2.0, mídias sociais e redes sociais eram perfeitamente entendidos pelos responsáveis deste setor que empreenderam várias campanhas de comunicação e informação divulgando para milhões de americanos dentro e fora do país suas mensagens e instruções.
Duas dicas caso você queira saber mais a respeito deste assunto. Here Comes Everybody: The Power of Organizing Without Organizations de Clay Shirky e The Revolution Will Not Be Televised: Democracy, The Internet, and the Overthrow of Everything de Joe Trippi.
Existem muitos livros a respeito, mas os melhores autores não perdem o foco. Sinalizam a importância da tecnologia e a nova disposição das pessoas, mas ressaltam que a principal ferramenta neste tipo de comunicação é CONTEÚDO. Bits e bytes não convencem nem orientam ninguém. Os responsáveis pelo sucesso das campanhas online são Publicitários especializados em Comunicação Política, Jornalistas com experiência em Campanhas Eleitorais e estrategistas de Marketing Eleitoral e Marketing Digital. Óbvio? Sim, mas não custa lembrar aos nossos políticos.
Aqui em nosso país, longe ainda da campanha eleitoral, vivemos uma discussão sobre o uso da internet nas próximas eleições. O Tribunal Superior Eleitoral e o Congresso Nacional enxergam com bons olhos o uso desta tecnologia e estão verificando como regular e quais normas realmente servirão a democracia.
Enquanto isso nossos políticos podem e devem usar seus sites e blogs para comunicar e interagir com seus eleitores, partidários e jornalistas. Alguns usam. Mas de acordo com o levantamento que faço constantemente com meu grupo de trabalho, poucos usam razoavelmente bem.
Recentemente com a popularização do Twitter no Brasil alguns jornais e revistas produziram matérias sobre o uso desta ferramenta de comunicação pelos políticos brasileiros. O tom da maioria das matérias era entusiasta dando a impressão que muitos políticos teriam aderido as tuitadas. Mas não é bem assim, na realidade, pelo levantamento que fizemos com o auxílio de algumas listas online, menos de 1% por cento dos políticos brasileiros aderiram.
Passamos então a acompanhar e interagir com alguns a fim de termos uma análise do entendimento e uso que eles e suas equipes têm do miniblog.
Nossa maior surpresa foi o uso adequado do Twitter pelo Deputado Estadual RJ Jorge Piccianni e pela Governadora do RN Wilma de Faria. Políticos que com certeza não cabem no perfil de conectados. O que reforça nossa argumentação sobre a necessidade de se ter equipes especializadas em comunicação política. As mensagens são objetivas com boa narrativa e indicando na maioria das vezes um link para um site ou blog onde o assunto é tratado com mais detalhes e informações.
Antes que eu esqueça, analisamos a forma, não o conteúdo.
A decepção ficou por conta da Deputada Federal RS Manoela. Suas mensagens são tipo “estou indo para uma reunião sobre estágios”. Qual a relevância desta informação? Qual a importância desta reunião? O que ela e seus pares do partido pensam e defendem sobre a política atual de estágios no Brasil? Não sei. Não tinha nenhum link para que eu pudesse “seguir” a deputada.
O Governador de SP José Serra e o Deputado Federal RJ Gabeira mandam bem. Nenhuma surpresa, inclusive a equipe do Serra acompanhou um retweet meu quando ele comentou que é apaixonado por balé. A resposta veio no dia seguinte onde ele me esclarecia que sua esposa foi uma importante bailarina no Chile. Daí sua paixão. É claro, retweet de novo na sua mensagem. Era o mínimo que podia fazer pelo meu descrédito.
É isso, ir para o twitter e não interagir, melhor ficar nos emails.
Quando o Senador SP Mercadante desabafou que estava indignado com certas posturas de seus pares recebeu um reply com o seguinte teor “imagine nós Senador que pagamos o salário de todos vocês”.
É dele também as tuitadas que melhor representa quão próxima e instantânea pode ficar nossa relação com quem seguimos no twitter. Em plena crise do Senado ele abriu seu coração de pai emocionado com o casamento do filho. Tomou muitas tuitadas e comentários nos blogs. Corajosamente ele colocou em 140 caracteres todas suas angústias e discussões que geraram retrocessos na sua liderança nos fazendo acompanhar sua crise pessoal e política cujo desfecho foi o anúncio de sua renúncia –
“Eu subo hoje à tribuna para apresentar minha renúncia da liderança do PT em caráter irrevogável”.
E posterior adiamento devido ao recado do Presidente Lula passado pelo Ministro Múcio pedindo para encontrar-se com ele primeiro.
Quem acompanhou ou seguiu se preferir viu isso tudo em tempo real, antes das câmeras da TV, das transmissões de rádios, antes mesmo dos jornalistas online e blogueiros de plantão com suas centenas de fontes.
Ele foi sua própria mídia. Esse é o poder.
E ele o exerceu um dia depois quando avisou “estou indo para o Senado fazer meu pronunciamento” enquanto alguns senadores do PT avisavam pelo Twitter que ele não renunciaria.
Acompanhei por várias horas a pesquisa por “Mercadante”, não se passou um minuto sequer sem entrar dezenas de mensagens, algumas de apoio, outras tantas de descontentamento.
Já o Senador Cristovão Buarque, sempre tem o que dizer, mas a dificuldade com as pequenas teclas do BlackBerry transforma alguns de seus twites literalmente em piada. Vejam. “@Sen_Cristovamguardem a fala do simon ha poucona com de etica e digam aos netos que estavam vivos na época”.
Outro problema que encontramos foi o uso da terceira pessoa nas mensagens. Um deputado estadual do RJ tem como padrão esta forma. Mandei algumas mensagens para ele sobre isso. Abri uma conversa e ninguém se dignou a responder ou argumentar. Fiz pela primeira vez o uso do democrático direito do unfollow. Se todos os (e)leitores dele fizerem o mesmo periga ele ter unfollow no mandato.
Hoje os temas mais tuitados são suas atuações parlamentares e gestão, alguns poucos arriscam comentários pessoais e outros só tratam da crise política.
A Marina Silva vem aí, vamos acompanhar primeiro, depois analisaremos.
Não vi até o momento nenhuma ação para construção de comunidades virtuais, grupos de afinidades e outras ações pertinentes. O que demonstra a falta de conhecimento ou pro atividade para o uso potencial desta ferramenta.
Este potencial e outras providências para a melhor utilização da comunicação digital é assunto dos próximos artigos desta seção.
No mais é perceber que mesmo com alguma demora estamos tornando as relações mais transparentes. Para os que querem é claro. Mesmo que seja com 140 caracteres.
Porque as pessoas fazem o que fazem?
12 de Agosto de 2009 por Luiz Barbosa Neves
Categoria: Destaque, Geral, Sociologia do Consumo
Por Cuducos
Quem me conhece, ou já passou pela minha página aqui no blog (ou pelo meu currículo lattes), sabe que meu foco de pesquisa no momento é sociologia do consumo.
Publicações Religiosas: Recordes
12 de Agosto de 2009 por Luiz Barbosa Neves
Categoria: Ciências das Religiões, Destaque
Estou reproduzindo a nota que saiu hoje na Veja OnLine, sobre o expansão do segmento editorial religioso. Fator inequívoco do crescimento do modo de ser religioso no Brasil.
Livros e religião
- O segmento de livros religiosos foi o que mais cresceu em exemplares produzidos (21,8% a mais que no ano anterior) e em faturamento (13,5% a mais). Na outra ponta, o segmento dos livros didáticos reduziu sua tiragem total em 17,8%.
- *A pesquisa constata também que as igrejas tornaram-se um novo canal de vendas. Ali, se venderam pelo menos 3 milhões de exemplares, ou 1,5% do mercado total.
- Por Lauro Jardim do Radar OnLine da Revista Veja
LBN VidCast – Varejo Hoje
7 de Agosto de 2009 por Luiz Barbosa Neves
Categoria: Destaque, Entrevista, LBN VidCast, Marketing, Outros Destaques
No LBN VidCast, entrevista o especialista em varejo Juedir Teixeira.
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Antropologia do Consumo
7 de Agosto de 2009 por Luiz Barbosa Neves
Categoria: Antropologia do Consumo, Destaque
Já perguntei várias vezes para colegas de profissão que estão no mercado há pelo menos dez anos. Quantas vezes você já presenciou numa reunião de trabalho com profissionais de marketing ou comunicação uma abordagem, uma ponderação, uma análise ou ponto de vista pelo prisma da antropologia do consumo? Pouquíssimas vezes foi a maioria das respostas. A resposta eu já sabia, claro. Algumas vezes participei de reuniões onde decidíamos o destino de uma linha de produtos e nenhum dos documentos analisados atendia a esta cadeira. Muitas planilhas, pesquisas quantitativas, mapas de venda, relatórios de vários departamentos, detalhes das matérias prima envolvidas e processos industriais, tudo importante sem dúvida, mas e a ponderação sobre o outro.. Muitas vezes, quando argumentava sobre isso, o encaminhamento era “temos uma pesquisa qualitativa”. Ótimo, mas não o suficiente para atender ao tema. Mas o pior mesmo eram os argumentos de pouca praticidade, difícil aplicação ou a tentativa sectária de atribuir a este assunto o âmbito apenas acadêmico.
Na maioria das vezes só vi atenção maior ao tema quando estávamos trabalhando para resolver alguma crise forte de clientes, mas não por creditarem a análise antropológica condição de matéria indispensável na formação de temas para a tomada de decisão, mas porque nessas horas eles prestavam atenção a tudo o que tinham ignorado antes da crise.
Bom, o tempo passou, o tema cresceu, hoje vários centros acadêmicos ministram este tema e gostaria de indicar um texto que aborda a relevância deste assunto.
“Gerentes engravatados da Gessy Lever sobem o
morro para entrevistar ao vivo e em cores clientes até então
reduzidos a percentagens em impessoais relatórios de
pesquisa. (…)”
http://www.rae.com.br/artigos/1080.pdf
Boa leitura.
O Sagrado e(ra) o Profano
23 de Julho de 2009 por Luiz Barbosa Neves
Categoria: Ciências das Religiões, Destaque, Sociologia do Consumo
Na sociedade contemporânea, o modo de ser religioso saiu da esfera protegida da instituição religiosa e da tradição, e se deslocou para a mídia, nova instância organizadora das relações sociais e comunitárias.
É obvio que não estou mencionando especificamente canais ou programas religiosos. Na realidade vamos excluí-los deste artigo.
E também não pretendo chamar a atenção para os enredos de novelas, letras de música seculares, piadas dos programas humorísticos e outras manifestações midiáticas que trazem este modo de ser religioso.
Quero tratar da repercussão mundial que a resignificação do sagrado e do profano gerou a partir do show de imagens que nossa seleção de futebol deu na celebração da vitória na África do Sul.
Recentemente vários torcedores foram entrevistados por um programa esportivo de um canal a cabo por causa da instrução da FIFA para as federações de futebol do mundo todo pedindo moderação nas manifestações em função da comemoração da vitória da seleção brasileira na África do Sul onde muito do apresentado pelas câmeras (excessivamente, penso eu) tinha o modo de ser religioso.
Uns contra, outros a favor, o que mais me chamou a atenção foi o que declarou: “tá errado, na hora de mostrar o patrocinador fica mostrando Jesus. Não pode. O patrocinador tem o direito de aparecer na televisão”.
Este mesmo típico torcedor provavelmente foi um daqueles que num passado recente, criticou a entrada de patrocinadores na camisa dos clubes de futebol. O manto do clube era sagrado e não podia ser profanado pela presença de um patrocinador. Uma relação de dinheiro, somente dinheiro, não podia ficar estampada no adereço santificado, ungido e demonstrativo do amor da legião de devotos que sempre em fé caminham aos domingos para receber dos céus a benção da vitória.
Lugar de patrocinador é nas placas que tem no campo.
Este era o discurso recente de muitos torcedores e jornalistas esportivos, ou melhor, jornalistas futebolísticos antes da sacralização do Marketing no meio.
A camisa do clube e sua representação era o sagrado.
O marketing, o profano.
Numa inversão típica da pós-modernidade agora, o sagrado é o patrocinador, o marketing. O profano é a manifestação religiosa. Só este aspecto dá um TCC completo.
Não dá para precisar porque a FIFA se manifestou a respeito. O modo de ser religioso no futebol é antigo, pelo menos no nosso continente. Quem não se lembra dos jogadores da seleção de 70 se benzendo a cada boa ou má jogada. Muitos comemoravam correndo e olhando para o céu com o dedo erguido. Os que se ajoelharam depois da final foram cobertos por torcedores numa das maiores invasões de campo da história do futebol.
A FIFA e os demais críticos desta atitude precisam abrir os olhos para o mundo contemporâneo. Um mundo onde símbolos e signos estão sendo resignificados.
LBN VidCast – Cenário Político Eleitoral – Pesquisas de Intenção de Voto
18 de Julho de 2009 por Luiz Barbosa Neves
Categoria: Destaque, Entrevista, LBN VidCast, Outros Destaques
No LBN VidCast, entrevista o Sociólogo Fábio Gomes, responsável pelo Instituto de Pesquisa Informa, há 12 anos atuante no mercado.







