O Consumo da Mobilidade: um estudo sobre o dispositivo celular.

6 de Dezembro de 2009 por Luiz Barbosa Neves  
Categoria: Destaque, Sociologia do Consumo

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Diego Jair Vicentin
Grupo de pesquisas CTeMe (Conhecimento, Tecnologia e Mercado)
Universidade Estadual de Campinas – Unicamp
Junho/

Porque afirmar que teríamos a liberdade de possuir ou não este tipo de aparelho, de utilizá-los ou não, é naturalmente pura ilusão. Günther Anders

Diego Jair Vicentin
Grupo de pesquisas CTeMe (Conhecimento, Tecnologia e Mercado)
Universidade Estadual de Campinas – Unicamp

Hoje, o telefone celular é um fenômeno de consumo de massa. Com mais de quatro bilhões de aparelhos em funcionamento no mundo, esse objeto ganha importância dentro da esfera do consumo não só por sua taxa de penetração no mercado global, como também por servir de plataforma ao consumo de outras e novas mercadorias. Mas, o que propriamente é consumido na relação com o dispositivo celular? Apostamos que o usuário pretende consumir uma certa forma de mobilidade que se manifesta nesse objeto, não só por sua capacidade de articulação entre comunicação e movimento, mas sobretudo pela mobilidade que apresenta em sua forma. O celular é um objeto disforme, indefinido, móvel, que carrega um número cada vez maior de ferramentas e potencialidades e que, por isso, exerce poder de atração sobre a massa de consumidores que pretende manter-se, como o celular, em acelerado processo de evolução e adaptação.

Porque afirmar que teríamos a liberdade de possuir ou não este tipo de aparelho, de utilizá-los ou não, é naturalmente pura ilusão.
Günther Anders

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Porque as pessoas fazem o que fazem?

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Porque consumimos? Por causa dos apelos da Publicidade e das estratégias de Marketing? As nossas decisões de compra são individualistas ou reflexo de vida em grupo?
A Sociologia abraça estes temas e reflete por vários pontos de vista estas questões. Da leitura de Clássicos como Max e Webber a teóricos pós-modernistas pode-se chegar a conclusões que ora se complementam ora se contrapõe tão rico este assunto é. Comecemos então por um artigo que não se rende fácil aos argumentos pós-modernistas.
Porquê as pessoas fazem o que fazem?
Por Cuducos
Quem me conhece, ou já passou pela minha página aqui no blog (ou pelo meu currículo lattes), sabe que meu foco de pesquisa no momento é sociologia do consumo.

O Sagrado e(ra) o Profano

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Na sociedade contemporânea, o modo de ser religioso saiu da esfera protegida da instituição religiosa e da tradição, e se deslocou para a mídia, nova instância organizadora das relações sociais e comunitárias.

É obvio que não estou mencionando especificamente canais ou programas religiosos. Na realidade vamos excluí-los deste artigo.

E também não pretendo chamar a atenção para os enredos de novelas, letras de música seculares, piadas dos programas humorísticos e outras manifestações midiáticas que trazem este modo de ser religioso.

Quero tratar da repercussão mundial que a resignificação do sagrado e do profano gerou a partir do show de imagens que nossa seleção de futebol deu na celebração da vitória na África do Sul.

Recentemente vários torcedores foram entrevistados por um programa esportivo de um canal a cabo por causa da instrução da FIFA para as federações de futebol do mundo todo pedindo moderação nas manifestações em função da comemoração da vitória da seleção brasileira na África do Sul onde muito do apresentado pelas câmeras (excessivamente, penso eu) tinha o modo de ser religioso.

Uns contra, outros a favor, o que mais me chamou a atenção foi o que declarou: “tá errado, na hora de mostrar o patrocinador fica mostrando Jesus. Não pode. O patrocinador tem o direito de aparecer na televisão”.

Este mesmo típico torcedor provavelmente foi um daqueles que num passado recente, criticou a entrada de patrocinadores na camisa dos clubes de futebol. O manto do clube era sagrado e não podia ser profanado pela presença de um patrocinador. Uma relação de dinheiro, somente dinheiro, não podia ficar estampada no adereço santificado, ungido e demonstrativo do amor da legião de devotos que sempre em fé caminham aos domingos para receber dos céus a benção da vitória.

Lugar de patrocinador é nas placas que tem no campo.

Este era o discurso recente de muitos torcedores e jornalistas esportivos, ou melhor, jornalistas futebolísticos antes da sacralização do Marketing no meio.

A camisa do clube e sua representação era o sagrado.

O marketing, o profano.

Numa inversão típica da pós-modernidade agora, o sagrado é o patrocinador, o marketing. O profano é a manifestação religiosa. Só este aspecto dá um TCC completo.

Não dá para precisar porque a FIFA se manifestou a respeito. O modo de ser religioso no futebol é antigo, pelo menos no nosso continente. Quem não se lembra dos jogadores da seleção de 70 se benzendo a cada boa ou má jogada. Muitos comemoravam correndo e olhando para o céu com o dedo erguido. Os que se ajoelharam depois da final foram cobertos por torcedores numa das maiores invasões de campo da história do futebol.

A FIFA e os demais críticos desta atitude precisam abrir os olhos para o mundo contemporâneo. Um mundo onde símbolos e signos estão sendo resignificados.