Arruda e os Mortos Vivos da Política Nacional

Dezembro 6, 2009 by Luiz Barbosa Neves  
Filed under Destaque, Marketing

zombie

Os mortos vivos além de não criarem, matam aquilo que pode gerar comparação e denunciar sua condição putrefata.

Recentemente tuitei que Arruda agora é um morto vivo. Mesmo que continuasse andando não estaria vivo, apenas vagando sem objetivos e perspectiva política.

Analisando, porém o crescimento dos fatos narrados por vídeos que alcançaram outros políticos e conhecidos personagens da vida pública brasileira, vi que não estou sendo justo com o Arruda.

Não é de agora que Arruda é um morto vivo da política brasileira. Ele e um grande número de políticos brasileiros já morreram há muito tempo, mas continuam vagando pela vida pública, pois conseguem se alimentar dos esquemas que irrigam campanhas.

Mas por que mortos vivos?

Porque onde há vida, há criatividade, inventividade, originalidade, força, desempenho, disposição e ondas de co-criação frutos da irrigação constante do sangue oxigenado em nossos corpos.

Então, quantos de nossos governantes podem ser classificados como vivos?

“Mais do mesmo” é a tônica nacional.

Cadê as grandes idéias? Os projetos mais arrojados que convocam a sociedade para discutir sua cidade ou seu estado?

Ficam no discurso, nas promessas de campanha, na mentira da montagem de um secretariado inovador e com disposição pública.

Veja se você já não ouviu isso ou algo parecido.

Nas eleições
“Sou candidato das expectativas de meu povo, das necessidades imediatas das comunidades, quero ganhar esta eleição para colocar em andamento os projetos que estão no meu programa de governo. Recursos não faltam, idéias e projetos também não, o que falta é gerência, competência e vontade política”.

Após a eleição.
“Quero agradecer aos eleitores que entenderam nossa proposta de austeridade e planejamento. Nossa prioridade número um é colocar a casa em ordem, pois sabemos que as finanças públicas estão descontroladas e nossa equipe de transição prevê um ano muito duro pela frente…”.

Já ouviu? Com certeza sim, e provavelmente mais de uma vez.

Os que promovem este tipo de discurso compõem o maior partido do Brasil.

O PMVB – Partido dos Mortos Vivos do Brasil.
Presente em todos os municípios e estados brasileiros.

No Rio temos alguns ícones, verdadeiros totens da gestão do PMVB.
Os CIEP´s.

Em 1982 Leonel Brizola e Darcy Ribeiro conceberam e apresentaram um projeto original para os padrões brasileiros. Educação em tempo integral com vários serviços acoplados no local, que prestavam aos alunos assistência médica odontológica, biblioteca, aulas de reforço, alimentação balanceada, iniciação esportiva e atividades culturais abertas inclusive para a comunidade no entorno.

Foi triste acompanhar a desmontagem dos CIEP´s no Rio promovido pelo PMVB. Primeiro alegaram inviabilidade financeira para construir mais e manter os prontos. Depois que o modelo de educação baseado no sistema de tempo integral era discriminatório, por fim municipalizaram as estruturas e juro, cansei de ver CIEP abandonado, invadidos por pessoas sem residência fazendo de um projeto visionário apenas uma favela.

Os mortos vivos além de não criarem, matam aquilo que pode gerar comparação e denunciar sua condição putrefata.

Eles estão em todas as agremiações políticas, participam de todos os escalões governamentais.

Eles repetem idéias que não vão executar, prometem obras que não vão fazer, apontam caminhos que não vão trilhar e tem o conforto de saber que provavelmente seus sucessores irão fazer “mais do mesmo” dificultando assim a possibilidade de comparação futura que os elimine da vida política nacional.

Luiz Barbosa Neves