A Piada dos Políticos – A performance de nossos políticos no twitter.
Agosto 21, 2009 by Luiz Barbosa Neves
Filed under Destaque, Entrevista
O que eles andam fazendo no Twitter.
Corajosamente ele colocou em 140 caracteres todas suas angústias e discussões que geraram retrocessos na sua liderança nos fazendo acompanhar sua crise pessoal e política cujo desfecho foi o anúncio de sua renúncia –
A Piada dos Políticos – Acompanhamento e Análise.
Durante a campanha do Obama, tivemos a oportunidade de acompanhar o esforço que o candidato e sua equipe fizeram para através da Internet e seus mecanismos de comunicação instantânea ganhar visibilidade, mobilizarem grupos de voluntários, conquistarem credibilidade, pedir voto, registro e comparecimento aos locais de votação e arrecadar com sucesso, fundos de campanha. Conceitos como web 2.0, mídias sociais e redes sociais eram perfeitamente entendidos pelos responsáveis deste setor que empreenderam várias campanhas de comunicação e informação divulgando para milhões de americanos dentro e fora do país suas mensagens e instruções.
Duas dicas caso você queira saber mais a respeito deste assunto. Here Comes Everybody: The Power of Organizing Without Organizations de Clay Shirky e The Revolution Will Not Be Televised: Democracy, The Internet, and the Overthrow of Everything de Joe Trippi.
Existem muitos livros a respeito, mas os melhores autores não perdem o foco. Sinalizam a importância da tecnologia e a nova disposição das pessoas, mas ressaltam que a principal ferramenta neste tipo de comunicação é CONTEÚDO. Bits e bytes não convencem nem orientam ninguém. Os responsáveis pelo sucesso das campanhas online são Publicitários especializados em Comunicação Política, Jornalistas com experiência em Campanhas Eleitorais e estrategistas de Marketing Eleitoral e Marketing Digital. Óbvio? Sim, mas não custa lembrar aos nossos políticos.
Aqui em nosso país, longe ainda da campanha eleitoral, vivemos uma discussão sobre o uso da internet nas próximas eleições. O Tribunal Superior Eleitoral e o Congresso Nacional enxergam com bons olhos o uso desta tecnologia e estão verificando como regular e quais normas realmente servirão a democracia.
Enquanto isso nossos políticos podem e devem usar seus sites e blogs para comunicar e interagir com seus eleitores, partidários e jornalistas. Alguns usam. Mas de acordo com o levantamento que faço constantemente com meu grupo de trabalho, poucos usam razoavelmente bem.
Recentemente com a popularização do Twitter no Brasil alguns jornais e revistas produziram matérias sobre o uso desta ferramenta de comunicação pelos políticos brasileiros. O tom da maioria das matérias era entusiasta dando a impressão que muitos políticos teriam aderido as tuitadas. Mas não é bem assim, na realidade, pelo levantamento que fizemos com o auxílio de algumas listas online, menos de 1% por cento dos políticos brasileiros aderiram.
Passamos então a acompanhar e interagir com alguns a fim de termos uma análise do entendimento e uso que eles e suas equipes têm do miniblog.
Nossa maior surpresa foi o uso adequado do Twitter pelo Deputado Estadual RJ Jorge Piccianni e pela Governadora do RN Wilma de Faria. Políticos que com certeza não cabem no perfil de conectados. O que reforça nossa argumentação sobre a necessidade de se ter equipes especializadas em comunicação política. As mensagens são objetivas com boa narrativa e indicando na maioria das vezes um link para um site ou blog onde o assunto é tratado com mais detalhes e informações.
Antes que eu esqueça, analisamos a forma, não o conteúdo.
A decepção ficou por conta da Deputada Federal RS Manoela. Suas mensagens são tipo “estou indo para uma reunião sobre estágios”. Qual a relevância desta informação? Qual a importância desta reunião? O que ela e seus pares do partido pensam e defendem sobre a política atual de estágios no Brasil? Não sei. Não tinha nenhum link para que eu pudesse “seguir” a deputada.
O Governador de SP José Serra e o Deputado Federal RJ Gabeira mandam bem. Nenhuma surpresa, inclusive a equipe do Serra acompanhou um retweet meu quando ele comentou que é apaixonado por balé. A resposta veio no dia seguinte onde ele me esclarecia que sua esposa foi uma importante bailarina no Chile. Daí sua paixão. É claro, retweet de novo na sua mensagem. Era o mínimo que podia fazer pelo meu descrédito.
É isso, ir para o twitter e não interagir, melhor ficar nos emails.
Quando o Senador SP Mercadante desabafou que estava indignado com certas posturas de seus pares recebeu um reply com o seguinte teor “imagine nós Senador que pagamos o salário de todos vocês”.
É dele também as tuitadas que melhor representa quão próxima e instantânea pode ficar nossa relação com quem seguimos no twitter. Em plena crise do Senado ele abriu seu coração de pai emocionado com o casamento do filho. Tomou muitas tuitadas e comentários nos blogs. Corajosamente ele colocou em 140 caracteres todas suas angústias e discussões que geraram retrocessos na sua liderança nos fazendo acompanhar sua crise pessoal e política cujo desfecho foi o anúncio de sua renúncia –
“Eu subo hoje à tribuna para apresentar minha renúncia da liderança do PT em caráter irrevogável”.
E posterior adiamento devido ao recado do Presidente Lula passado pelo Ministro Múcio pedindo para encontrar-se com ele primeiro.
Quem acompanhou ou seguiu se preferir viu isso tudo em tempo real, antes das câmeras da TV, das transmissões de rádios, antes mesmo dos jornalistas online e blogueiros de plantão com suas centenas de fontes.
Ele foi sua própria mídia. Esse é o poder.
E ele o exerceu um dia depois quando avisou “estou indo para o Senado fazer meu pronunciamento” enquanto alguns senadores do PT avisavam pelo Twitter que ele não renunciaria.
Acompanhei por várias horas a pesquisa por “Mercadante”, não se passou um minuto sequer sem entrar dezenas de mensagens, algumas de apoio, outras tantas de descontentamento.
Já o Senador Cristovão Buarque, sempre tem o que dizer, mas a dificuldade com as pequenas teclas do BlackBerry transforma alguns de seus twites literalmente em piada. Vejam. “@Sen_Cristovamguardem a fala do simon ha poucona com de etica e digam aos netos que estavam vivos na época”.
Outro problema que encontramos foi o uso da terceira pessoa nas mensagens. Um deputado estadual do RJ tem como padrão esta forma. Mandei algumas mensagens para ele sobre isso. Abri uma conversa e ninguém se dignou a responder ou argumentar. Fiz pela primeira vez o uso do democrático direito do unfollow. Se todos os (e)leitores dele fizerem o mesmo periga ele ter unfollow no mandato.
Hoje os temas mais tuitados são suas atuações parlamentares e gestão, alguns poucos arriscam comentários pessoais e outros só tratam da crise política.
A Marina Silva vem aí, vamos acompanhar primeiro, depois analisaremos.
Não vi até o momento nenhuma ação para construção de comunidades virtuais, grupos de afinidades e outras ações pertinentes. O que demonstra a falta de conhecimento ou pro atividade para o uso potencial desta ferramenta.
Este potencial e outras providências para a melhor utilização da comunicação digital é assunto dos próximos artigos desta seção.
No mais é perceber que mesmo com alguma demora estamos tornando as relações mais transparentes. Para os que querem é claro. Mesmo que seja com 140 caracteres.
Porque as pessoas fazem o que fazem?
Agosto 12, 2009 by Luiz Barbosa Neves
Filed under Destaque, Geral, Sociologia do Consumo
Por Cuducos
Quem me conhece, ou já passou pela minha página aqui no blog (ou pelo meu currículo lattes), sabe que meu foco de pesquisa no momento é sociologia do consumo.
Antropologia do Consumo
Agosto 7, 2009 by Luiz Barbosa Neves
Filed under Antropologia do Consumo, Destaque
Já perguntei várias vezes para colegas de profissão que estão no mercado há pelo menos dez anos. Quantas vezes você já presenciou numa reunião de trabalho com profissionais de marketing ou comunicação uma abordagem, uma ponderação, uma análise ou ponto de vista pelo prisma da antropologia do consumo? Pouquíssimas vezes foi a maioria das respostas. A resposta eu já sabia, claro. Algumas vezes participei de reuniões onde decidíamos o destino de uma linha de produtos e nenhum dos documentos analisados atendia a esta cadeira. Muitas planilhas, pesquisas quantitativas, mapas de venda, relatórios de vários departamentos, detalhes das matérias prima envolvidas e processos industriais, tudo importante sem dúvida, mas e a ponderação sobre o outro.. Muitas vezes, quando argumentava sobre isso, o encaminhamento era “temos uma pesquisa qualitativa”. Ótimo, mas não o suficiente para atender ao tema. Mas o pior mesmo eram os argumentos de pouca praticidade, difícil aplicação ou a tentativa sectária de atribuir a este assunto o âmbito apenas acadêmico.
Na maioria das vezes só vi atenção maior ao tema quando estávamos trabalhando para resolver alguma crise forte de clientes, mas não por creditarem a análise antropológica condição de matéria indispensável na formação de temas para a tomada de decisão, mas porque nessas horas eles prestavam atenção a tudo o que tinham ignorado antes da crise.
Bom, o tempo passou, o tema cresceu, hoje vários centros acadêmicos ministram este tema e gostaria de indicar um texto que aborda a relevância deste assunto.
“Gerentes engravatados da Gessy Lever sobem o
morro para entrevistar ao vivo e em cores clientes até então
reduzidos a percentagens em impessoais relatórios de
pesquisa. (…)”
http://www.rae.com.br/artigos/1080.pdf
Boa leitura.



