A nova classe C e o IPCA
Janeiro 14, 2012 by Luiz Barbosa Neves
Filed under Destaque
|
|||
|
|||
| A nova realidade da sociedade brasileira vai influenciar o índice oficial de inflação. As mudanças anunciadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) refletem uma economia com mais gente com poder aquisitivo maior e uma classe C com hábitos de consumo que seriam impensados há dez anos. Produtos como o salmão, castanha e salame passam a fazer parte do grupo Alimentação e Bebidas.
Chuchu, gelatina e feijoada em conserva, por sua vez, não serão mais pesquisados. “Houve uma mudança de razoável para boa em certas categorias de consumo. O caso do salmão é emblemático. Hoje qualquer pessoa encontra esse produto em supermercados de subúrbio das grandes cidades. O preço também é muito mais acessível”, afirma o professor do Instituto de Varejo (Ivar), da Universidade Cândido Mendes, Luiz Barbosa Neves. Para a economista Alessandra Ribeiro, da consultoria Tendências, as mudanças já eram esperadas pelo mercado e refletem a alteração que vem ocorrendo na composição das classes sociais no Brasil, com a política de transferência de renda. “Entre 2009 e 2011 houve uma forte migração da classe C para a classe B e da classe B para a classe A”, afirma. De fato, a classe C foi a que mais cresceu, de acordo com a comparação entre as duas últimas Pesquisas de Orçamento Familiar (Pof), que serviu de base para a definição dos novos parâmetros de cálculo do IPCA. “De 2002 a 2009 a classe C cresceu 3,1 pontos percentuais e a classe B, 1 ponto”, afirma Alessandra. O grupo que mais sofreu mudanças foi o de Educação, o que reforça a análise da maior participação da classe C no mercado consumidor brasileiro. O peso desse grupo no cálculo do índice de inflação foi reduzido de 7,21% para 4,37%. Segundo Irene Machado, técnica do IBGE, a redução ocorre nos cursos regulares do ensino fundamental e médio, mas não em cursos técnicos. “Apesar do aumento da renda, muitas famílias tiraram os filhos das escolas particulares para gastar mais com serviços e internet”, afirma. Para Alessandra, da consultoria Tendências, é justamente o aumento da participação da classe C no mercado consumidor que explica a perda de relevância do grupo Educação. “A classe C, tradicionalmente, consome menos educação e menos serviços e por isso esse grupo terá um peso menor no índice.” Analistas especializados em varejo reconhecem que os hábitos de consumo da nova classe C são diferentes dos das classes C tradicionais. Luiz Barbosa cita o setor de eletrodomésticos. “Você praticamente já não encontra nas grandes redes de varejo eletrodomésticos de segunda linha porque a nova classe C está migrando para as marcas mais consagradas. Essa nova classe C por enquanto não aspira a passar para a classe B e essa é a grande dificuldade das empresas hoje. Descobrir o que a classe C quer consumir”, afirma Luiz Barbosa. De acordo com o professor, o setor editorial e de moda são os que mais têm se adaptado para atender ás exigências dessa nova classe C. “As editoras cada vez estão mais segmentadas e os grandes varejistas de moda também se adaptam mais facilmente para não perder participação de mercado”, afirma. O grupo Alimentação e Bebidas, o mais importante na composição do IPCA, perdeu peso de 23,46% para 23,12%, mas se manteve como o mais importante. Dentro deste grupo, o item alimentação no domicílio ganhou espaço, passando de um peso de 15,08% para 15,15%. O item alimentação fora do domicílio, por sua vez, perdeu peso e passou de 8,38% para 7,97%. O grupo transportes foi um dos que ganhou mais peso, ao passar de 18,59% para 20,54%. Esse crescimento reflete também o maior gasto com viagens. “Viajar mais significa que o brasileiro também está tendo acesso a novas culturas e isso certamente vai influenciar na questão educacional”, afirma Luiz Barbosa. ——————– O poder aquisitivo maior e um classe C com hábitos de consumo que seriam impensados há dez anos justificam a mudança. Produtos como salmão, castanha e salame entram na lista, enquanto Chuchu gelatina saem da cesta de alimentos cujos preços são monitorados pelas pesquisas de inflação |
|||
O Consumo da Mobilidade: um estudo sobre o dispositivo celular.
Dezembro 6, 2009 by Luiz Barbosa Neves
Filed under Destaque, Sociologia do Consumo
Porque afirmar que teríamos a liberdade de possuir ou não este tipo de aparelho, de utilizá-los ou não, é naturalmente pura ilusão. Günther Anders
Diego Jair Vicentin
Grupo de pesquisas CTeMe (Conhecimento, Tecnologia e Mercado)
Universidade Estadual de Campinas – Unicamp
Hoje, o telefone celular é um fenômeno de consumo de massa. Com mais de quatro bilhões de aparelhos em funcionamento no mundo, esse objeto ganha importância dentro da esfera do consumo não só por sua taxa de penetração no mercado global, como também por servir de plataforma ao consumo de outras e novas mercadorias. Mas, o que propriamente é consumido na relação com o dispositivo celular? Apostamos que o usuário pretende consumir uma certa forma de mobilidade que se manifesta nesse objeto, não só por sua capacidade de articulação entre comunicação e movimento, mas sobretudo pela mobilidade que apresenta em sua forma. O celular é um objeto disforme, indefinido, móvel, que carrega um número cada vez maior de ferramentas e potencialidades e que, por isso, exerce poder de atração sobre a massa de consumidores que pretende manter-se, como o celular, em acelerado processo de evolução e adaptação.
Porque afirmar que teríamos a liberdade de possuir ou não este tipo de aparelho, de utilizá-los ou não, é naturalmente pura ilusão.
Günther Anders
Porque as pessoas fazem o que fazem?
Agosto 12, 2009 by Luiz Barbosa Neves
Filed under Destaque, Geral, Sociologia do Consumo
Por Cuducos
Quem me conhece, ou já passou pela minha página aqui no blog (ou pelo meu currículo lattes), sabe que meu foco de pesquisa no momento é sociologia do consumo.




